Fotos

Fotos

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Filho de prefeito no Nordeste agrediu ex-mulher por achar que tinha sido traído.

O filho do prefeito da cidade de Salinas da Margarida, Filipe Pedreira, suspeito de espancar, cortar os cabelos e torturar a ex-mulher, Clara Emanuele Santos Vieira, de 20 anos, confessou em depoimento à polícia, que agrediu a ex-mulher.
A delegada responsável pelo caso, Patrícia Jackes, informou, nesta quarta-feira (16), que Filipe se apresentou no dia 9 de maio, um dia após o espancamento e registro do caso na delegacia. Acompanhado de um advogado, o homem foi na unidade de polícia em Santo Antônio de Jesus, cidade onde ele morava com Clara.
"Ele assume as agressões e diz que foi motivado por ciúmes. Disse que Clara Emanuele havia traído ele e, por isso, ele se descontrolou. No entanto, ele conta também que Clara haveria atentado contra ele com uma faca", detalhou a delegada.
Clara Emanuele está sob uma medida protetiva que estabelece que Filipe tem que permanecer a uma distância de, no mínimo, 100 metros da vítima e do filho deles. Pelo período de três meses, ele não poderá ver o filho, conforme determinação da Justiça.
O advogado de Filipe, Eldo Lago, informou que foi orientado pela Justiça a não comentar o caso, mas disse que o cliente está cumprindo toda e qualquer determinação judicial. Disse ainda que Filipe é acompanhado por um psicólogo.
Oito dias após o caso, nesta quarta-feira (16), Clara ainda possui hematomas pelo corpo e diz que está com medo do ex-marido. Ela teve um derrame no olho e disse que sente os dentes moles por conta dos murros que recebeu de Filipe.

Apesar de tantas marcas, a lesão corporal de Clara é apontada como leve, conforme o laudo pericial do Departamento de Polícia Técnica (DPT) entregue nesta quarta-feira pelo órgão à polícia.
"Verificamos as lesões para que fosse tipificado o crime e pedida a prisão preventiva, mas o laudo aponta lesões corporais leves e o crime leve tem uma pena de três anos de detenção. Nós só podemos requererer prisão preventiva com penas a partir de quatro anos. No entanto, no decorrer das investigações, analisando a possibilidade de outros crimes, com base nas novas investigações, pode haver a possibilidade de pedir a prisão preventiva dele", explicou a delegada Patrícia Jackes.

A delegada destacou, ainda, que Clara e os familiares estão sendo monitorados e, caso Filipe descumpra a medida protetiva, ele será preso. "Ele mora em Salinas da Margarida e ela mora em Muniz Ferreira com pai ela. Ela está sendo monitorada e está orientada sobre como agir caso ele descumpra a medida", disse a delegada.
CASO 
Clara Emanuele Santos Vieira é filha do prefeito da cidade de Muniz Ferreira. Ela era casada com Filipe e como cursa direito em uma faculdade de Santo Antônio de Jesus, morava na cidade que fica no recôncavo baiano, com Filipe e o filhinho deles, de um ano.

A jovem denunciou ter sido torturada pelo ex-marido, em Santo Antônio de Jesus. Ela contou ter recebido socos no rosto, teve os cabelos e dedos cortados. Segundo a vítima, o homem também agrediu o filho deles, de um ano, e pai dela, com spray de pimenta.
No Instagram, a vítima publicou imagens com hematomas no olho e disse que o celular dela foi destruído. A situação acabou gerando a campanha "#todosporclara" nas redes sociais.
Clara conta que, enquanto o ex a agredia, a acusava de traição. "Ele disse que eu tinha outro namorado. Disse que ia me deixar careca e que ninguém ia me querer. E que se eu tivesse outro, ia matar a mim e a ele", falou.
Durante a agressão, os vizinhos ouviram a discussão e chamaram a polícia. No entanto, Clara teve medo de fazer a denúncia. "Eu disse (aos policiais) que não estava acontecendo nada. Depois disso, consegui fugir para a casa de minha vizinha", conta Clara, que foi levada para o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus.
O suspeito, então, foi para a casa do ex-sogro, na cidade de Muniz Ferreira. Segundo Clara, no imóvel, ele ameaçou o sogro com uma faca e tentou agredir o pai dela, além de lançar spray de pimenta no filho de um ano. O bebê foi levado para o posto de saúde da cidade e passa bem.
Agressões
Clara disse que ela já havia sido agredida outras vezes durante o relacionamento. Ela casou com o rapaz no final de 2016 e a separação ocorreu no dia 27 de abril deste ano, porque ela não aguentava mais a violência.
"Eu não denunciei porque eu achava que um dia ele ia parar de fazer. Acabei por conta disso, porque eu não aguentava mais", afirma a jovem.
Ela fala que o relacionamento piorou desde que o filho deles nasceu. "Ele disse que ninguém ia me querer por conta desse filho, ele me xingava o tempo todo", relembra.
A jovem diz que, depois de ter rompido o silêncio e ter visto a repercussão do caso dela nas redes sociais, muita mulheres procuraram ela para também relatar casos de violência. "Por um lado é bom, porque encoraja muitas mulheres. Muitas mulheres que procuram e contam situações parecidas ou até piores do que a minha", diz Clara.
G1 BA.

Nenhum comentário:

Postar um comentário